novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......

novelos soltos, emaranhados, organizados, escondidos, fiapos da vida......
convido-os a desenrolar alguns fios reais e ficcionais

sábado, 18 de outubro de 2014

FICÇÃO - Salvador Dali

Um dos meus pintores favoritos é o surrealista Salvador Dali.

Os meus favoritos de primeiro lugar são La Tour e Van Gogh.


Os meus favoritos de segundo lugar são Escher e Banksy


Os meus favoritos de terceiro lugar são Magritte, Dali e Rockwell.




Mas, continuando, senão vou aos meus favoritos de centésimo lugar :D

Umas brincadeirinhas com Salvador Dali.

Ah. Salvador! Uma dor salva na minha alma daqui. Roda valsa com passos daqui e dali. Rosa alva de poesia. Avi Dollars.


Apenas fios soltos e bobos. Mas com um pouco de amostragem do que gosto.





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

REAL - Crônica imaginada.

Hoje eu deveria ter ido ao encontro do Criaturas Crônicas (um grupo de pessoas de Curitiba que marca em locais diferentes para escrever crônicas). Mas a chuva foi tão tamanha e como sei que o local por ali sempre dá enchente em dia de chuva, resolvi ficar em casa. Então tentei me imaginar lá no Supermercado (local de encontro) e escrevi uma crônica imaginária. Boa leitura.

Mercado Ama.

Pelo canto dos meus olhos observo:
o velhinho não tão conservador, com os escorridos olhos de sardinha para a senhorinha pepinosa, mas conservada, que estufava seus peitinhos de codorna.
 

a criança pequena estourando em mil ois para todos que a ouviam.
o solteiro desenlatando palavras frígidas para a resfriada franguinha.
o pão fresco o é em demasia e não devolve o olhar lambido da lambisgoia que está com o namorado da peixaria.
enfim, todos saem vazios com suas sacolas cheias. Só a caixa sai de mãos vazias e entra no carro do pão que gosta de coelho, ou melhor, de gata.
(Texto: Susan Blum. Imagens: internet).

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

REAL - Sinais

Você já viu aquele filme: "Sinais"?
Pois é. Não é dele que vou falar.
Já viram esta placa em algum lugar daqui de Curitiba? 

Pois é, até vou contar um "causo" sobre algo que aconteceu comigo. Mas também não é o meu foco agora. 

O foco é só uma brincadeirinha sobre algo real. BEM real:

O meu Claro escureceu. O meu Vivo morreu. O meu Tim ficou tãtã. O meu Oi deu tchau faz tempo. Sinal que é bom ninguém quer dar. Nem o celular.

Agora o "causo": sempre que vou atravessar uma esquina, olho se nenhum carro está fazendo sinal que vai entrar na rua em que estou. Pois bem, um dia um carro entrou do nada (sem fazer sinal) e quase me atropelou. Fiquei braba e gritei:
- Faz sinal!
Para minha surpresa ele colocou a mão para fora e fez.

Porém, pensem bem: esta placa serve para diversas coisas: sinal do motorista para os ciclistas e pedestres poderem se organizar, sinais dos celulares que não existem, sinais de vida de outros planetas, sinal de entrada em alguma compra. ADORO ambiguidades.
Este post é apenas para uma pequena reflexão.
Beijos a todos e lembrem de dar sinal!
(o sinal certo!)

REAL - Lógica infantil.


Dentro do Circular-Centro vejo o pai com a menina de uns sete anos.
Ela conversa animadamente com ele e sento o mais próximo possível, pois gosto quando vejo pais que conversam com seus filhos.
Ela dizia, convicta, para seu pai:

- Quando eu crescer quero ser médica, advogada, bailarina, bombeira e veterinária.
- Mas filha, é muita coisa. Como você vai fazer?
- Ué! A semana não tem sete dias? Então. 
E daí ela abriu suas mãozinhas e foi apontando nos dedos:
- Segunda sou advogada, terça sou bailarina, quarta sou médica, quinta sou bombeira, sexta sou veterinária.



É. A lógica infantil faz sentido. E ela ainda tem o sábado e o domingo para ser fotógrafa, pintora, dançarina ou o que mais desejar. 
Pois afinal de contas, "não sabendo que era impossível, ela foi lá e fez!"
Lembrei então de minha mãe que sempre me diz que desde pequena eu mostrava o que queria ser. 
Eu voltava do Jardim de Infância e depois do almoço, colocava todas as bonecas e bichinhos que tinha em casa em "carteiras imaginárias no chão", ficava apontando para um "quadro de giz imaginário" e dava aulas. Meu pai me comprou um quadro de giz e acabei indo para o quintal dar aulas todas as tardes.
Eu era pequetita e ficava pegando a câmera fotográfica de meu pai, sempre com ele por perto. Ele viu que eu gostava e me deu daquelas câmeras que você levava ela inteira para revelar e ganhava outra no lugar. 
Ele gostava de ler minhas redações e incentivava a leitura (me dava livrinhos e mais livrinhos de historinhas).
E agora, sou professora, "fotógrafa" e "escritora".
(texto: Susan Blum. Imagens: pintura de Norman Rockwell. Foto de minha sobrinha-neta.)

Gostou do texto? Talvez goste desse outro também: http://novelosnadaexemplares.blogspot.com.br/2011/12/real-ficcao-menina-curiosa.html

domingo, 5 de outubro de 2014

FICÇÃO - Jon Time

“Como narrar a viagem e descrever o rio ao longo
do qual – outro rio – existe a viagem, de tal
modo que ressalte, no texto, a face recôndita e
duradoura do evento, aquela onde o evento, sem
começo e sem fim, nos desafia, móvel e imóvel?”
Osman Lins - Avalovara

tic  tac    tic  tac    tic  tac

Viajar, correr na autopista que se estendia à sua frente, tal qual
negro tapete aveludado...

tic  tac   tic  tac   tic  tac

os passos do tempo passavam bem devagar, mas com passadas
firmes...

Jon Time, deitado na cama do motel, acabou seu whisky e observou
a garrafinha vazia em sua mão enquanto sentia o calor da bebida saindo por todos os seus poros...


keep walk    keep walk    keep walk


Semicerrou os olhos, ainda a mirando, e – sabe diabos porque
a associação – lembrou de amigos, como Calac e Polanco, que lhe
contavam histórias de sacanagens: tirar a tampa do paliteiro, virá-lo
cuidadosamente e deixá-lo virado na mesa com a tampa em cima. Ficar observando quem pegava e derramava todos os palitos. Abrir a tampa do saleiro e deixar na mesa para ver o sal se derramando sobre toda a comida. “Batizar” com sêmen a maionese ou o ketchup que vinham acompanhando o sanduíche até o carro.

Sempre achou essas brincadeiras bobas. Nunca foi vítima delas!

tic  tac    tic  tac    tic  tac

Sentiu vontade de mijar. Já ia colocar a garrafinha no criado-mudo
ao lado, quando lhe veio a “inspiração” e levou-a junto ao banheiro.


keep  walk    keep  walk    keep  walk

No dia seguinte, indo embora, feliz de não pagar pela bebida,
ficava imaginando a cara de quem pegasse a garrafinha, sedento por um whisky.


tic  tac    tic  tac    tic  tac


Meses mais tarde descobriu sua dificuldade em urinar. Hipouremia
irreversível. Macrocistite lancinante. Cada gota que saía parecia uma espada ardente e latejante que rasgava o mais íntimo de seu ser. Gotas de suor e o calor insuportável saíam de todos os seus poros.

tic  tac    tic  tac    tic  tac

Sair por todos os seus poros. Disseram uma vez que o suor nada
mais é do que mijo.

Será?

“Então não preciso me preocupar” - sorriu sarcasticamente,
suando em bicas, sentado no vaso e esperando (lhe parecia horas) sua urina acabar de sair.

Ping   ping   ping   ping

tic  tac    tic  tac    tic  tac

keep walk    keep walk    keep walk

“pequenas provetas com sua penosa dose de urina, etiqueta
vermelha Johnnie Walker”


(este conto se encontra no livro Novelos Nada Exemplares 
e faz diálogo com um texto de Julio Cortázar).

sábado, 4 de outubro de 2014

Texto e imagem - duas rapidinhas.

Pois é. Dizem que as paredes têm ouvidos. 
Mas elas se fazem de surdas comigo. 
Me deixam falando sozinha.
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Camuflagem:

as manchas senis
escondem
a idade que fiz.


(texto e fotos: Susan Blum)

Real - Ficção - Abel perdida


Miúda. Novinha. Todos percebiam que ela estava sozinha no ônibus. Um perigo (murmuravam alguns). 

Mas estou me adiantando. Vamos voltar um pouco no tempo. Abel estava junto com seus familiares, mas se distraiu por um momento e - ironia do destino - acabou entrando sem querer em um Expresso. As portas se fecharam e ela ficou tontinha dentro dele, esbarrando em todos. Ela parou na porta 5 e todas as vezes que o Expresso parava em um tubo, ela se batia na porta 5, tentando sair. O vidro da porta a enganava. Achava que por ali ela sairia. 
Tentava achar uma fenda ou abertura de forma louca, mas não conseguia. Porta hermeticamente fechada.
Por momentos ficava rondando as pessoas sentadas como se esperasse delas alguma ajuda (eu tinha certeza de que ninguém a ajudaria. Não com aquela aparência.)
E - de fato - ou era ignorada ou as pessoas se afastavam dela.
Chegou até mesmo a ser "enxotada" por uma ou outra. 
Não adianta. Ninguém a ajudaria.
Quando finalmente conseguiu sair, afinal era o ponto final da Estação Campo Comprido, Abel estava longe de casa.




Conseguiria Abel voar de volta para sua colmeia?

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

REAL - Tiponite

São apenas alguns minutos, poucos minutos, mas por vezes é uma tortura aos meus ouvidos. Ônibus Positivo. Algumas pérolas...

- Daí o cara tipo... vomitou tudo. Tá ligado cara? Tipo vomitou enorme. Nossa. Tipo, todo mundo com nojo. Tá ligado? Ele bebeu todas. Tipo misturou umas. Tá ligado? Tipo, muito nojento. Cara. Eu já vomitei assim. Minha mãe não sabe que eu bebo...

- Mas, e quando você volta pra casa? Sua mãe não vê?

- Não. Tipo, vou dormir na casa de uma amiga. Tipo volto bem mais tarde, quando tô bem já, tá ligado? 

- ...

- Nossa.... tipo a professora tirei uma nota tipo. .. nem estudei. Tá ligado? Quando vi a nota... tipo... nossa... tirei isso?  

- O que ela deu em sala?

- Ah. Ela deu tipo um texto pra gente ler. Tipo da matéria. Tá ligado aquela prova? Então. Não sabia nada. Tipo nada mesmo.

E graças aos céus tipo, cheguei no Terminal tipo ... e pude sair correndo daquela tipo...  tiponite sufocante.